segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cultura, socialização e diversidade humana

Fig. 11 - Um ser humano sem cultura não passa de um animal


 Nascer Homem não é condição única e suficiente para nos tornarmos humanos. Nascimento, alimentação, doença, reprodução e morte são exemplos de fenómenos indiscutivelmente biológicos que caracterizam universalmente a vida animal. Mas são, no que ao ser humano diz respeito, fenómenos simultaneamente sociais e culturais. Não se conhece qualquer sociedade que não tenha criado um sistema de crenças, valores, normas, hábitos, conhecimentos, etc...

Cultura - soma total do conteúdos, modos de pensamento e comportamentos transmitidos no decurso do processo de socialização.

 A capacidade do ser humano para se adaptar ao meio, transformando-o e reinventando-o através da cultura, distingue-o dos outros animais.
 Aos percorrermos as diferentes sociedades encontramos um conjunto de elementos ou características que, no essencial, estão presentes em todas as culturas:
- uma língua;
- uma história;
- uma religião dominante;
- uma série de costumes e de valores;
- sistemas de organização social, incluindo normas de conduta;
- artefactos únicos dessa sociedade;
- hábitos alimentares e sanitários socialmente aceites;
- uma moral comum, etc...

 Embora em sentido abstracto a cultura seja universal, a verdade é que a cultura não tem universalidade, mas antes uma enorme diversidade/variação que nos obriga a falar de padrões culturais.

 Padrão cultural - forma colectiva e específica de conduta cultural que uma sociedade estabelece como ideal e que visa a normalização do comportamento dos indivíduos de uma sociedade, possibilitando a satisfação das suas necessidades bem como a previsibilidade dos comportamentos dos seus membros.

 Neste sentido, devemos falar da socialização.

 Socialização - processo pelo qual, ao longo de toda a vida, o ser humano aprende e interioriza os diversos elementos da cultura envolvente, integrando-se assim num meio social e cultural específico.

 O processo de socialização:

  • Desenvolve a sociabilidade;
  • Permite a interiorização de um padrão cultural;
  • Gera sentimentos, atitudes e comportamentos comuns;
  • Possibilita a integração;
  • Constrói o sentimento de pertença, o "NÓS", a identidade social e cultural dos indivíduos.
 A socialização não é dada nem concluída à partida: atravessa toda a vida dos indivíduos. Embora seja particularmente intensa durante a infância e a adolescência, é uma demanda permanente de aprendizagem.
 A socialização requer três dimensões: processo mental ou cultural (aquisição de conhecimentos); processo afectivo (formação de vínculos) e processo comportamental (conformação social da conduta).
 Existem dois tipos de socialização: primária e secundária (a primeira ocorre durante a infância e permite a aquisição de um conjunto de saberes primários ou básicos, como falar ou andar; a segunda acompanha toda a vida adulta e designa ajustamentos do indivíduo em função de alterações significativas do meio social, como a conduta num clube desportivo).
 O processo de socialização é, pois, um processo interactivo e mútuo que afecta sempre o comportamento e a conduta de todos os seus participantes. O indivíduo, ao longo do seu processo de socialização, não se limita a ser um recipiente passivo, um guardião de uma tradição transmitida socialmente: constrói-se, participa, interpreta, rejeita, recria e renova permanentemente o seu ambiente social. O ser humano é, portanto, não apenas um produto do seu meio, mas também um produtor de cultura.

Documentário "Um Cérebro Brilhante - Nascido para ser génio"

No âmbito desta análise sobre o cérebro, é proposta a introdução do documentário da National Geographic sobre crianças sobredotadas. Esta é uma das três partes do documentário que impõe as questões: "será o talento algo inato, ou seja, que vem de nascença?" ; "será um cérebro de um sobredotado anatomica e fisiologicamente diferente das demais pessoas <<normais>>?" e "Existe um génio da genialidade?".


 A análise deste episódio que eu próprio fiz segue-se:

Fig.11 - Capa da national Geographic

 Este documentário tem como problema central se existe de facto, o gene da genialidade,  ou se qualquer um pode ser génio apenas com base em treino e ambiente correcto. Como os estudos da psicóloga concluem, ser um génio não é algo comum nem fácil, pois poucas crianças têm o dom inerente à pessoa sobredotada, algo que não é dado com a educação. Os genes dão uma probabilidade ou propensão da criança em adquirir certos conhecimentos, mas apenas são efectivamente demosntrados se estimulada a criança para tal(tal como a psicóloga diz, não será qualquer criança que, mesmo com o regime de treino de Marc Yu, consegue realizar as tarefas que ele realiza). Ellen Winner também defende que as crianças sobredotadas auto-propõem-se a melhorar e a realizar o que desejam de forma o mais autónoma e independente possível(como o caso de Marc Yu em aprender a andar de bicicleta). A psicóloga também acredita que as crianças avançadas, ao realizarem exaustivamente as tarefas que pretendem, entram num ciclo virtuoso de aprendizagem, que simplesmente as melhora mais e mais, tornando-as sempre cada vez mais diferentes dos outros, o que pode constituir uma desvantagem, visto este tipo de crianças ser rejeitada socialmente pelas diferenças notórias na mentalidade, podendo até serem “rotuladas” de anormais, passando a estar isoladas.      De resto, o desenvolvimento tardio do córtex pré-frontal, responsável pela razão e auto-controlo, durante a puberdade, pode representar perigo no futuro de pessoas como Marc Yu.
Como se sabe, a música envolve várias tarefas simultâneas: os músicos têm de interpretar as notas que aparecem na pauta musical, mexem os dedos para produzir a nota certa e ouvem o que estão a tocar. O facto dos músicos, por exemplo, terem de usar simultaneamente as duas mãos para tocar é algo que exige um esforço cerebral, conseguido, por um lado, pelo controlo do membro superior esquerdo pelo hemisfério direito e, por outro lado, pelo controlo do membro superior direito pelo hemisfério esquerdo. Apesar de cada hemisfério comandar apenas um lado do corpo, estes têm de funcionar em harmonia para permitir a precisão e coordenação necessária aos músicos para tocar. Também o cerebelo ou o corpo caloso exercem funções de finalidade musical, provando assim que a interacção cerebral e a sua complexidade permitem as actividades mentais.



 Pesquisas realizadas pelo neurologista Gottfried Schlaug revelaram, como se verificou no episódio, que os cérebros dos músicos apresentam especializações anormais num cérebro normal, precisamente adaptadas para a função que realizam(o cerebelo, por exemplo), permitindo a coordenação e concentração necessárias à actividade, provando a moldagem cerebral que enquanto crianças cada um sofre.
No caso de cientistas americanos, a experiência a que sujeitaram crianças de bairros desfavorecidos mostraram serem enriquecedoras, com as crianças como objecto de estudo a revelaram melhores pontuações de QI em relação a outras crianças não sujeitas a testes, melhores percursos académicos e melhores vidas, enfim. Os resultados obtidos remetem de novo para uma moldagem e capacidade de apredizagem nas crianças bem antes da idade escolar, começando logo no período recém-nascido. O projecto “Abecedário”, como o chamaram, demonstrou não só que as crianças são fruto de estímulos que são recebidos desde pequenos, mas também que o que somos e o sucesso que possamos ter tido/vir a ter é devido ao que o ambiente ao nosso redor nos proporcionou.
Quanto ao caso de Genie, a rapariga que viveu privada de socialização e processos de aprendizagem progressiva, as conclusões a tirar são reflexo das consequências: a menina não sabia falar, precisamente porque nunca tinha sido estimulada a tal, e mal andava, precisamente pelo mesmo motivo. O atraso mental de Genie em relação à sua idade “corporal” devia-se a um salto dado numa fase crucial da sua vida. Um cérebro em crescimento usa uma regra brutal para manter a funcionalidade e organização cerebral, que consiste em cortar ligações que aparentemente são desnecessárias à pessoa(se não se usa, corta-se) e que acontece enquanto bebé e na puberdade. Devido ao não-estímulo de capacidades normais a qualquer pessoa, como falar, o cérebro de Genie cortou as ligações cerebrais relacionadas com as aptidões linguísticas, deixando-a irremediavelmente sem conseguir falar com fluência. Percebeu-se, assim, que o cérebro atravessa fases decisivas para o seu desenvolvimento, e que, quando passadas, não têm retorno, deixando o cérebro inapto a realizar certas conexões, que depois incapacitam a pessoa em questão de realizar certas funções.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O funcionamento sistémico das áreas corticais


 Actividades como ouvir uma palavra, falar ou ler implicam diferentes áreas do cérebro e a coordenação entre elas.

 Para que uma pessoa consiga repetir uma palavra que ouviu anteriormente, é necessário que a informação/impulso nervoso passe, primeiramente, pelo córtex auditivo primário, depois pela área de Wernicke e depois na área de Broca até chegar ao córtex primário motor, que coordena os movimentos.
 Já para que uma pessoa leia uma palavra escrita, a informação/impulso nervoso passa pelo córtex visual primário, seguido da área de Wernicke e Broca, e finalmente no córtex primário motor.

Nota: De notar que os significados que damos ao que ouvimos, lemos e falamos são influenciados por emoções, afectos, sentimentos e comportamentos. Por isso, a linguagem envolve os dois hemisférios e áreas pré-frontais de integração.













Figs.9 e 10 - Ler e repetir palavras ouvidas são tarefas complexas que, mesmo assim, nos são banais diariamente

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A especialização das áreas corticais

 A comunidade científica considera que as áreas corticais funcionam como um só, de forma coordenada e complementar. No entanto, é possível analisar cada uma delas.

 Lobo frontal - Está implicado nas funções conscientes e na elaboração de comportamentos em resposta aos estímulos ambientais. As decisões do dia-a-dia são desenvolvidas neste lobo, tal como as respostas emocionais, a linguagem expressiva e as memórias de rotinas/actividades motoras.

Nota: O córtex pré-frontal é responsável pelas funções intelectuais superiores e pelas capacidades de previsão, planificação e tomada de decisão; a área de Broca localiza-se neste lobo.

 Lesões nesta zona cortical podem ter consequências:

  • Perda de movimentos simples em várias partes do corpo(paralisia cortical);
  • Incapacidade para planear sequências de movimentos complexos(apraxia);
  • Alteração da capacidade de expressar a linguagem(afasia de Broca);
  • Perturbação na escrita(agrafia);
  • Perda de flexibilidade de pensamento/capacidade de resolução de problemas.

 Lobo parietal - Abrange o reconhecimento visual e a percepção táctil.

 Lesões nesta zona cortical podem igualmente ter consequências:

  • Incapacidade em concentrar-se em mais que um objecto de cada vez ou nomear um objecto(anomia);
  • Dificuldades ao nível da leitura(alexia);
  • Dificuldades ao nível das operações matemáticas(discalculia).
 Pode ainda haver ausência de reconhecimento de partes do próprio corpo(agnosia somatossensorial) ou perda de sensibilidade em áreas corporais(anestesia corporal).


 Lobo temporal - Associado à capacidade auditiva e à formação de memórias.

 Lesões nesta zona cortical podem ter consequências nefastas:

  • Incapacidade de ouvir sons elementares(surdez cortical);
  • Incapacidade de reconhecer sons vulgares(agnosia auditiva);
  • Dificuldades na compreensão do discurso oral(afasia de Wernicke);
  • Dificuldades no reconhecimento de rostos(prosopagnosia)
  • Distúrbios ao nível da atenção selectiva.
 Como é de notar, a área de Wernicke localiza-se neste lobo.


 Lobo occipital - Associado à visão.

 Lesões nesta zona cortical podem levar a:

  • Défices na visão(parcialmente ou totalmente);
  • Dificuldade em identificar objectos e/ou cores no meio ambiente(agnosia visual).
 Os sujeitos com lesões no lobo occipital podem ainda ser incapazes de receber informações dos estímulos visuais(cegueira cortical) ou ter ainda alucinações ou ilusões de óptica.

 Embora sejam semelhantes em aparência, o hemisfério esquerdo e o direito apresentam diferenças que sustenham a tese de lateralização das funções, que defende que as áreas relacionadas com determinadas funções estão mais desenvolvidas num dos hemisférios.

 A área de Broca está associada à produção de linguagem e às suas propriedades expressivas. Assim, lesões nesta área devem perturbar a produção da fala sem produzir défices na compreensão da linguagem. A área de Wernicke localiza-se no lobo temporal esquerdo, atrás do córtex auditivo primário, e ficou associada às propriedades receptivas da linguagem. Assim, as lesões nesta área provocam má compreensão da linguagem escrita e falada e o sujeito lesado apresenta um discurso sem sentido, mas mantém a estrutura superficial do discurso.

 Dominância cerebral: o hemisfério esquerdo seria dominante sobre o hemisfério direito, pois estava implicado em funções mais importantes e complexas que o outro hemisfério(p.e a linguagem).

A organização funcional do cérebro

 A teoria das localizações cerebrais iniciou-se, em 1796, com Joseph Gall a criar a frenologia.
 As associações cerebrais mais simples correspondem às áreas primárias que permitem, por exemplo, a recepção e o processamento elementar de informação sensorial; as relações menos claras referem-se às áreas do córtex associativo ou áreas secundárias, que implicam um processamento de informação mais complexo. Existem ainda áreas de integração e coordenação(localizadas na região pré-frontal), onde se estabelecem relações com as áreas primárias e secundárias, unificando a actividade cerebral.

As estruturas microscópicas que suportam as funções cerebrais

 Os neurónios são unidades básicas do sistema nervoso. São responsáveis:
- pelo processamento da informação;
- pela codificação da memória, dos pensamentos e das emoções;
- pela regulação de todos os processos que mantêm a vida do ser humano.



 Os neurónios são, de forma geral, classificados em:

  • Neurónios aferentes(ou sensoriais), que recolhem informação do meio exterior ou interior e conduzem-na ao SNC;
  • Neurónios de conexão(ou interneurónios), que interpretam as informações e elaboram as respostas;
  • Neurónios eferentes(ou motores), que transmitem a informação do sistema nervoso central aos órgãos efectores(músculos e glândulas).
                               

  O neurónio contém três regiões distintas:
Fig.8 - Estrutura de um neurónio


  • Corpo celular, que consiste numa estrutura com núcleo que contém no seu interior o material genético portador das instruções que controlam a produção de proteínas necessárias para o funcionamento do neurónio(é, portanto, o centro metabólico do mesmo);
  • Dendrites, que são finas arborizações que constituem o aparelho receptor do neurónio(as telodendrites são transmissores do neurónio);
  • Axónio, que representa a unidade condutora do neurónio, ou seja, permite a passagem de substâncias fabricadas no corpo celular para a terminação do neurónio(está ainda revestido por mielina - uma bainha de matéria gorda - e contém nódulos de Ranvier - responsáveis pela velocidade de condução nervosa-, entre outros elementos).
 Os contactos entre neurónios realizam-se ao nível das sinapses. A sinapse é constituída pelo elemento pré-sináptico(elemento secretor), elemento pós-sináptico(elemento receptor) e fenda sináptica. A comunicação entre os neurónios baseia-se em processos de excitação e inibição.

 Eis algumas noções a reter desta temática:
- Botões são terminais em forma de botão das ramificações dos axónios que libertam substâncias químicas.
- Na sinapse, a mensagem eléctrica transforma-se em mensagem química.
- Neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurónios que se ligam a receptores específicos.
- Fenda sináptica é o intervalo entre um primeiro neurónio e um segundo neurónio. Os sinais nervosos transpõem esta fenda graças à libertação de neurotransmissores.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Estruturas macroscópicas que suportam a complexidade do sistema nervoso humano


 Em conjunto, o encéfalo(constituído pelo cérebro, cerebelo e tronco cerebral) e a espinal medula formam o Sistema Nervoso Central e são responsáveis pela recolha e tratamento da informação recebida do exterior através dos sentidos e transmitida pelos nervos a todo o corpo.

                                                                   
Fig.6 - Constituição do SNC
 O sistema nervoso dos vertebrados é constituído por Sistema Nervoso Central(SNC) e Sistema Nervoso Periférico(SNP):
- O SNC integra o encéfalo(localizado no crânio) e a espinal medula(localizada na coluna vertebral);
- O SNP inclui o Sistema Nervoso Somático(SNS) e o Sistema Nervoso Autónomo(SNA).

 O SNS é a parte do SNP que interage com o meio externo. É composto por:
-nervos aferentes(ou sensitivos), conduzem sinais para o SNC(como por exemplo bater com a mão na parede);
-nervos eferentes(ou motores), conduzem sinais motores do SNC para os músculos esqueléticos(reacção ao quente p.e)

 Complementarmente, o SNA participa na regulação do meio interno:
-nervos aferentes, conduzem sinais sensoriais de órgãos internos para o SNC;
-nervos eferentes, conduzem sinais motores de SNC para os órgãos internos.  

 A espinal medula transmite as mensagens do cérebro para o corpo e os sinais nervosos do corpo para o cérebro(função condutora). É também responsável pelo tratamento básico dos sinais nervosos e pela produção de respostas reflexas(função coordenadora). Através dos reflexos, a medula garante respostas rápidas adaptativas e não conscientes a certos estímulos do exterior. Nos reflexos espinais, os tempos de resposta são rapidíssimos: um sinal do nervo sensitivo percorre a medula e desencadeia uma resposta motora. Estes reflexos permitem-nos agir mais depressa do que se actuássemos conscientemente.

 Paul McLean(1970) propôs a decomposição do cérebro em:
- cérebro primitivo(ou reptiliano) - arquicórtex, responsável pela autopreservação;
- cérebro intermédio(ou límbico) - paleocortéx, responsável pelas emoções e onde se torna muito evidente o cerebelo;
- cérebro superior/racional(humano) - neocortéx, responsável pelas tarefas intelectuais e que ocupa 85% do cérebro total.

 O cérebro primitivo seria constituído pelas estruturas do tronco cerebral(estrutura que activa processos inconscientes de sobrevivência) e do cerebelo(estrutura que participa na produção de sinais nervosos necessários à execução de movimentos coordenados e equilibrados -como andar- e corresponderia ao cérebro dos répteis.
 O cérebro intermédio seria constituído pelas estruturas do sistema límbico(influência nas emoções, na memória e na aprendizagem), tálamo(ajuda a transformar decisões conscientes em realidade) e hipotálamo(regula a secreção de hormonas vitais) e corresponderia ao cérebro dos mamíferos inferiores.
 O cérebro superior ou racional seria constituído pela maior parte dos hemisférios cerebrais(neocórtex - divide-se em lobo frontal, parietal, temporal e occipital) e corresponderia ao cérebro dos mamíferos superiores.

 A maturação cerebral é um processo contínuo, mas significativamente mais lento no ser humano do que em qualquer outra espécie. Esta lentificação traduz-se numa progressiva complexificação estrutural e funcional da rede neural. Os comportamentos não resultam apenas da maturação cerebral, mas também da influência proporcionada pelo meio envolvente e das experiências que cada um vive. Estes factores promovem um processo individualização. A maturação do ser humano, mais propriamente do cérebro, é progressiva: à nascença, o cérebro tem um volume quatro vezes menor que o de um adulto; com 1 ano, a formação de sinapses continua, dá-se o aperfeiçoamento do córtex sensorial, moto e visual, inicia-se a maturação do córtex pré-frontal e certas conexões perdem-se e outras são reforçadas; com 6 anos, o cérebro atinge 90% do seu tamanho final e o desenvolvimento ocorre de forma mais lenta; aos 12 anos, a substância cinzenta invade as áreas associativas.

Plasticidade cerebral - conjunto de alterações estáveis na estrutura do cérebro que acompanham a experiência.
 A plasticidade inclui vários processos que ocorrem ao longo da vida. É determinada pela idade e acompanha o desenvolvimento cerebral normal. Nestes processos, o ambiente(natural e cultural) tem um papel fundamental.



Função vicariante -  capacidade de adaptar outras zonas do cérebro.
                                                                 



nativo_digital.JPG
Fig.7 - A plasticidade cerebral na infância é diferente da adulta

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O estudo do cérebro

 Na classe dos mamíferos denota-se um sistema nervoso mais complexo, traduzindo-se em cérebros maiores e em expressões de comportamento social. Cérebros mais complexos (como o humano) estão associados a desempenhos mais precisos e um maior controlo na sua execução (por exemplo, o controlo visual das mãos).

O caso Phineas Gage


 Como forma introdutória ao tema seguinte, é demonstrado o caso Phineas Gage. Aqui fica um resumo da história em si:
 Em 1848, Phineas Gage era supervisor de construção de ferrovias da Portland & Burland Railroad. Impávido e dotado de um senso de responsabilidade incomum, o jovem e zeloso capataz – ele tinha apenas 25 anos de idade – reservava para si as tarefas mais perigosas. Poupando os seus subordinados das atividades que envolvessem sérios riscos, assumia pessoalmente a responsabilidade de explodir as rochas situadas no traçado da estrada de ferro. Naquele fim de tarde, em Vermont, Estados Unidos, o jovem capataz protagonizou um acidente histórico, que permitiu à Ciência constatar que os danos ao córtex cerebral afectam a personalidade do indivíduo.

 Uma carga de pólvora fora colocada pelo próprio supervisor na abertura de uma rocha. Então Gage empunhou uma barra de ferro de um metro de cumprimento e 2,5 centímetros de diâmetro para socar o orifício. Inadvertidamente, a barra resvalou na abertura do buraco. O atrito ocasionou uma fagulha, que fez a pólvora acender. A explosão que se seguiu projectou a barra, com 2.5 cm de diâmetro e mais de um metro de comprimento contra o seu crânio, a alta velocidade. A barra entrou pela bochecha esquerda, destruiu o olho, atravessou a parte frontal do cérebro, e saiu pelo topo do crânio, do outro lado. Gage perdeu a consciência imediatamente e começou a ter convulsões. Porém, ele recuperou a consciência momentos depois, e foi levado a médico local, Jonh Harlow que o socorreu. Incrivelmente, ele estava falando e podia caminhar. Ele perdeu muito sangue, mas depois de alguns problemas de infecção, ele não só sobreviveu à horrenda lesão, como também se recuperou bem, fisicamente. Todavia, o zeloso Gage anterior à explosão, descrito como equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso simplesmente desapareceu. Em seu lugar, assumiu, conforme concluiu o neurobiologista António Damásio, “uma pessoa impaciente, com baixo limiar à frustração, desrespeitoso com as outras pessoas, incapaz de adequar-se às normais sociais e de planejar o futuro. Não conseguiu estabelecer vínculos afetivos e sociais duradouros novamente ou fixar-se em empregos.” Embora tenha milagrosamente sobrevivido à explosão, o capataz, que permanecera o resto da vida com a barra de ferro transfixada na face, tornou-se mesmo uma pessoa completamente diferente. Pouco tempo depois ao acidente  Phineas começou a ter mudanças surpreendentes na personalidade e no humor. Ele tornou-se extravagante e anti-social, praguejador e mentiroso, com péssimas maneiras, e já não conseguia manter-se em um trabalho por muito tempo ou planejar o futuro. O Phineas sobrevivente era briguento, mal humorado, preguiçoso e irresponsável. Tornou-se impaciente e obstinado, passando a usar um linguajar rude nunca antes utilizado por ele. “Phineas já não é mais Phineas”, diziam seus amigos.

Capítulo 2 - O cérebro



 Neste capítulo, mais comum à psicologia pura e em si, demonstra-se o funcionamento global do cérebro, bem como a sua importância e ainda a relação entre cérebro e capacidade de adaptação/autonomia do ser humano. Sendo mais relacionado directamente com a disciplina em si, tem novos conceitos que facilitarão a compreensão do conteúdo leccionado. Por isso, este capítulo foca muito o que está por detrás do comportamento: o cérebro.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A questão da clonagem - "Blade Runner"

 No âmbito dos problemas éticos que a clonagem levanta, foi-nos proposta a visualização e análise do filme "Perigo Iminente - Blade Runner".


Ficheiro:BladeRunner-Pôster.jpg
Fig.5 - Capa do filme
Sinopse:


 O filme descreve um futuro em que a humanidade inicia a colonização espacial, para o que cria seres geneticamente alterados - replicantes - utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colónias. Fabricados pela Tyrell Corporation como sendo "mais humanos que os humanos", as clonagens Nexus-6 são fisicamente idênticas aos humanos, mas são mais fortes e ágeis. Devido a problemas de instabilidade emocional e reduzida empatia, os replicantes são sujeitos a um desenvolvimento agressivo, pelo que o seu período de vida é limitado a quatro anos.

 Após um motim, a presença dos replicantes na Terra é proibida, sendo criada uma força policial especial - blade runners — para os caçar e "aposentar" (matar). O filme relata como um ex-blade runner - Deckard - é levado a voltar ao activo para caçar um grupo de replicantes que se rebelou e veio para a Terra à procura do seu criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar da morte que se aproxima.

 Ao visitar Tyrell, o criador dos replicantes, Deckard conhece a sua jovem assistente Rachael, que ignora o facto de que também ela ser uma replicante. Rachael tem todas as memórias de uma sobrinha de Tyrell, e apoiada nas suas memórias não consegue acreditar que é uma replicante. O policial Deckard  sente-se atraído por Rachael e envolve-se com ela.

 Um a um os replicantes são caçados, e ao longo do filme parecem adquirir características humanas, enquanto os verdadeiros humanos que os caçam parecem adquirir, cada vez mais, características desumanas. Ao fim, as questões que afligem os replicantes acabam por se tornar as mesmas que afligem os humanos.

Análise:

 O filme interpreta a forma como olhamos para um ser humano e para um clone, comparando ambos. O que se verificou foi que, tanto nos humanos como nos clones, a condição que têm é posta em causa, ou seja, não se percebe quando alguém é definitivamente “humano”.
 Define-se clonagem como, grosso modo, a repetição de outro ser, uma cópia aparente de outro ser já existente e único, por cópia genética do mesmo. No filme, é utilizada a criação de seres geneticamente idênticos aos que lhes deram origem para os usarem em trabalhos árduos ou perigosos para um humano natural. A sociedade gerada em “Blade Runner” consegue, sem ter convivido com nenhum clone, distingui-los. No entanto, como acontece e Deckard, conviver com seres clonados demonstra ser uma experiência bastante “humana” (os replicados chegam a demosntrar sentimentos tão vincados como paixão e a capacidade de perdoar), que coloca em causa as reais diferenças entre humanos e clonados. De facto, a verdadeira diferença parece ser que, enquanto um ser humano é único e é formado de forma natural, com características só suas, os seres clonados deixam de ser únicos e passam a ter características que alguém tem.
 Mesmo assim, os clones tornam-se diferentes, à sua maneira, por vivenciarem experiências diferentes do seu “original” detentor de ADN e por terem um raciocínio lógico que lhes permite sentir, tomar decisões, e até, por exemplo, questionarem-se sobre a sua prórpia existência (tal como nós o fazemos) . Actualmente criá-los é tecnicamente impossível nem permitido, felizmente, pois , apesar da sua criação para uso em trabalhos que metam em causa vidas humanas ser um aspecto positivo, a sua criação poderia trazer consequências nefastas, tais como confusões e questões sobre quem ou o que é realmente humano, criando divisões entre os seres “humanos”(naturais e artificiais), ou até mesmo revoltas de clones, caso adquirissem inteligência para tal (como acontece no filme em análise). Provavelmente, não num futuro longuíquo, se veja clones a invadir-nos o dia-a-dia.
 Talvez Deckard, mesmo sendo replicante, tivesse a possibilidade de ser considerado humano, por se envolver com outros replicantes (neste caso, mas poderiam ser humanos) e não se limitar a uma máquina, mas a inovar, tal como acontece com Rachel, que desenvolve uma atracção por Deckard. Embora Deckard, sendo humano, tenha uma personalidade e vivências bem vincadas, não parece impossível que Rachel os venha a adquirir, formando uma imagem do “EU” e ficando bem próxima da realidade humana. De facto, apenas a sua pré-definição em morrer numa data estipulada obedece a regras, apenas infrigidas a máquinas, porque de resto toda a estrutura social e lógica da replicante parece ser característico de humanos.

A ciência genética e o exemplo da clonagem



 Toma-se como clonagem o conjunto de processos ou procedimentos biológicos/biotecnológicos que permitem a produção de genes, células ou organismos geneticamente idênticos aos que lhes deram origem. Um facto muito importante na abordagem à clonagem é o de que esta está ligada a dois campos distintos:

  • Uso terapêutico(não implica a produção de seres, apenas órgãos e tecidos)
  • Clonagem reprodutiva(produção de seres)
 O debate em torno da clonagem é, em larga medida, um debate sobre princípios éticos.
 Em 1997 foi anunciada a primeira clonagem de um mamífero (ovelha Dolly). A técnica utilizada foi a substituição do núcleo celular de uma célula-ovo (ovócito) por um núcleo de uma célula mamária adulta diferenciada.
 Por curiosidade, inúmeras vozes ultimamente têm vindo a aprofundar a teoria de que a clonagem bem sucedida de um primata é a esperança que torna mais próximos o tratamento ou a cura de diversas doenças, mas também os transplantes em risco de rejeição, já que seria possível realizá-los com tecidos do próprio doente.

Fig.4 - Será a clonagem humana num futuro próximo algo banal?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Os processos de desenvolvimento filogenético e ontogenético

 A questão das viagens da vida é tão antiga quanto a curiosidade humana. Ao processo que descreve a história evolutiva de uma espécie, pondo em evidência as relações que esta mantém com outras espécies, chamamos filogénese ou filogenia. A filogénese inclui ainda processos de ontogénese.
Filogénese (evolução da espécie) - história da evolução de uma espécie ou grupo hierarquicamente reconhecido.

Ontogénese (evolução do indivíduo) - conjunto de tranformações embrionárias e pós-embrionárias pelas quais passa um organismo vertebrado, desde a fase do ovo até à fase adulta.

 Darwin disse que as diferentes espécies evoluíram a partir de um ancestral comum e a diversidade dos seres vivos resulta de processos de selecção natural. Durante milhões de anos, a evolução do comportamento acompanhou a evolução do cérebro (encefalização) .

 A locomoção bípede foi um factor evolutivo decisivo no processo que conduziu, primeiro, ao Homo Sapiens e, depois, ao Homo Sapiens Sapiens. Caminhar sobre duas pernas permitiu a postura vertical e a utilização  das mãos, agora livres, para tarefas cada vez mais complexas (p.e a produção de ferramentas e objectos), promovendo assim, lentamente, o desenvolvimento do cérebro e do crânio. Os registos fósseis sugerem que a evolução do Homem foi sendo acompanhada de evolução da capacidade craniana e do volume do cérebro.
Fig.3 - A evolução da espécie humana



 Ao nascer, o ser humano é frágil e inacabado, talvez o mais prematuro e impreparado de todo o planeta. No entanto, a precocidade do nascimento e o inacabamento biológico permitem ao novo ser uma programação bem mais rica e flexível do que aquela que é espectável dos instintos. Assim, o inacabamento biológico tornou-se no maior trunfo evolutivo da nossa espécie, em vez da aparente desvantagem biológica.  Enquanto o ser humano perdeu em programação biológica e instintos, ganhou em flexibilidade e aptidão para aprender e para interagir socialmente. 
 Associada a este inacabamento, surge a noção de neotenia, que consiste, no que se aplica ao ser humano, no prolongamento da infância, decorrente do inacabamento biológico, filogenético e ontogenético.
 Tal como os bebés, o adulto humano é um ser inacabado, coom um programa genético que permanece relativamente aberto.

 Dada a manifesta relação entre os processos filogenéticos e ontogenéticos, teorias como a Teoria da Recapitulação apontaram para uma anlogia entreo filogenia e ontogenia: <<a ontogenia recapitula a filogenia>>, ou seja, o desenvolvimento embrionário de cada indivíduo (ontogenia) seria uma repetição/recapitulação (ainda que de forma abreviada e incompleta) da história evolutiva de uma espécie (filogenia).

A interacção entre o genótipo e o meio



 Para podermos estabelecer relações entre o genótipo e o meio, necessitamos de saber o que é genótipo e fenótipo.

Genótipo - constituição genética de um indivíduo; mantém-se inalterável ao longo da vida de um indivíduo, a menos que ocorram mutações genéticas.

Fenótipo - conjunto de características físicas e fisiológicas(ex: formato das unhas, cabelo) do sujeito, tais como elas se apresentam ao observador; é a manifestação do genótipo e pode mudar ao longo da vida de um indivíduo; resulta da interacção entre os genes e o meio ambiente.

 Além destas definições, devemos ter em conta que os seres humanos partilham informação e, ao mesmo tempo, possuem outra de cariz único.

Hereditariedade específica - conjunto dos genes que caracterizam determinada espécie.

Hereditariedade individual - património genético que determina as particularidades de cada indivíduo.

 Pela leitura das definições de genótipo e fenótipo, percebemos que os comportamentos e faculdades superiores do ser humano não se reduzem ao genótipo.
 Para determinar que tipo de factores influenciam o comportamento, os naturalistas debateram-se durante séculos com base em duas grandes teorias: o Preformismo e a Epigénese.

Fig.2
 O preformismo, antiga teoria biológica, defendia que o desenvolvimento embrionário não passa do crescimento de um organismo que estava, à partida, formado (o homúnculo - Fig. 2). Para um defensor do preformismo, a tarefa do desenvolvimento reduzia-se a um simples aumento de tamanho de um embrião em tudo semelhante a um adulto.

Em oposição a esta teoria, surgiria a teoria a que hoje se dá mais credibilidade e à qual se dá o nome de Epigénese. De acordo com esta teoria de perspectiva contrutiva, cada indivíduo adapta-se de forma eficiente ao meio, como resultado de interacções entre o conjunto de genes que herda e os estímulos externos. Para um defensor desta teoria, o processo de desenvolvimento é interactivo e compreende influências genéticas e ambientais (pré-fetais, fetais e pós-fetais) . Assim, o que herdamos dos nossos genes não é propriamente uma característica, mas antes uma probabilidade ou susceptibilidade de a adquirir/desenvolver.                
 A hereditariedade proporciona o potencial das                                              
 características, mas não determina o que somos enquanto indivíduos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os agentes responsáveis pela transmissão genética

A genética define-se como um ramo da biologia que estuda, entre outros, o processo pelo qual uma determinada característica biológica de um ser vivo é transmitida pelos progenitores aos seus descendentes(hereditariedade). Em 1865, um monge austríaco chamado Gregor Mendel lançou as bases da hoje ciência genética ao admitir a passagem de factores aos descendentes por parte dos progenitores. Provou que a transmissão de características hereditárias é, em parte, não aleatória. Os factores, descritos por Mendel, eram de facto características presentes nos genes(segmento de ADN responsável pela formação de proteínas e influencia o funcionamento e desenvolvimento de todas a partes do organismo). O ADN(abreviatura de ácido desoxirribonucleico) consiste numa macromolécula em forma de dupla hélice que contém toda a informação necessária ao desenvolvimento e à existência de um organismo. Quimicamente, é um polímero, ou seja, uma cadeia resultante da união de nucleótidos, sendo estes últimos moléculas orgânicas compostas por um açúcar ligado a um grupo fosfato e a uma base azotada. Sabe-se que existem quatro bases azotadas: A(adenina); G(guanina); C(citosina); T(timina).
Fig.1-A estrutura da molécula de ADN segundo Crick e Watson
As bases azotadas só se ligam em pares, sendo que a timina liga-se com a adenina(e vice-versa) e a citosina liga-se com a guanina(e vice-versa).
O conjunto de genes denomina-se genoma. O genoma está localizado nos cromossomas(portadores e transmissores de ADN). No caso humano, sabe-se que existem 46 cromossomas, repartidos em 23 pares, sendo 22 desses pares idênticos em ambos os sexos(autossomas), enquanto que o par 23 denomina-se cromossoma sexual e é diferente, consoante o sexo(gonossomas).
Um indivíduo designa-se homozigótico para um dado gene quando os dois alelos do gene em questão são idênticos(olhos azuis, por exemplo); por outro lado, um indivíduo é heterozigótico para um gene quando os dois alelos em questão são diferentes(Nota: alelos são
formas alternativas do cromossoma). Qualquer um dos alelos do par pode ser dominante ou recessivo: quando o alelo, mesmo estando presente em apenas um dos dois cromossomas do par, é capaz de, por si so, exprimir uma dada característica, falamos de alelos dominantes; quando o alelo é apenas capaz de exprimir dada característica quando existe a sua presença simultânea nos dois cromossomas homólogos(que formam um par), diz-se recessivo.
Sempre que uma doença é causada por um alelo dominante, como por exemplo a doença de Huntington, os indivíduos masculinos e femininos são igualmente afectados, a característica tende a aparecer em todas as gerações e os indivíduos heterozigóticos manifestam a característica sempre.
Um exemplo de uma doença hereditária autossómica com transmissão recessiva é a fibrose quística. Mas também existem doenças associadas aos genes dos cromossomas sexuais(o daltonismo, p.e)-doenças hereditárias gonossómicas com transmissão recessiva- e conclui-se que afectam fundamentalmente indivíduos masculinos(já que são portadores de um único cromossoma X). Também se conclui que as mulheres heterozigóticas, mesmo sendo portadoras, não manifestam a característica, e que uma mulher, caso manifeste a característica, é filha de pai afectado e mãe que pode ser portadora ou afectada.

Capítulo 1 - A genética

Este capítulo encontra-se, principalmente para os alunos que têm Biologia como disciplina, intimamente relacionado no sentido em que apresenta diversas palavras-chave e definições já conhecidas e, portanto, o estudo deste é facilitado. As questões centrais deste capítulo resumem-se em saber o que diferencia-nos enquanto humanos, se essas diferenças traduzem-se em capacidades e quais são elas então.

Tema 1 - Antes de mim

O primeiro dos quatro temas gerais que serão abordados neste ano lectivo é o que se refere ao "antes de mim". Tal título surge como forma de introdução e até previsão do que se tratará neste: falar-se-á de genética, do cérebro e de cultura. Estas três situações surgem connosco, antecedem-nos em parte e definem, em grande parte, o que somos e o que podemos vir a ser. Embora, por exemplo, aprendamos a socializar, isso é algo que nos está inserido, enquanto seres humanos, não por vontade própria, mas porque assim o foi decidido na evolução humana. Este tema surge, portanto, como plataforma introdutória do que a psicologia tenta estudar: a especificidade do ser humano do ponto de vista biológico, cerebral e cultural.

O início

 Olá a todos! Por falta de tempo e disponibilidade, apenas agora(final do 1º Período) é iniciado este conteúdo digital de informação sobre Psicologia B de 12ºano. No entanto, toda a informação esperada estará brevemente disponível a todos. A partir de hoje, o blogue será actualizado periodicamente e organizado por forma a facilitar a pesquisa e a compreensão do que aqui colocarei. Espero, além de cumprir o objectivo central deste sítio, ajudar os mais interessados no assunto ou os que, por aqui, encontrem uma base de estudo. Boas aulas a todos!